A forma como as pessoas encontram marcas está passando por uma mudança estrutural. No primeiro dia da NRF 2026, o CEO do Google, Sundar Pichai, em sua primeira aparição nesse palco, deixou claro que a busca mudou. Ela está deixando de ser baseada apenas em palavras-chave para se tornar conversacional, contextual e orientada à decisão. Isso não é uma tendência pontual. É uma mudança de infraestrutura que impacta diretamente conteúdo, design, SEO e dessa forma, todo o marketing digital.

Para marcas e empresas, a pergunta deixa de ser “como ranquear melhor?” e passa a ser: como se tornar a resposta certa, dentro de uma busca conversacional?

O que é busca conversacional e por que ela muda a jornada

A primeira coisa a dizer é que busca conversacional não é marketing conversacional. Busca Conversacional é o formato de busca onde que o usuário deixa de digitar termos soltos e passa a conversar com a busca, descrevendo contexto, intenção, preferências e restrições em linguagem natural.

Na prática:

  • o usuário não digita palavras-chave;

  • ele não quer mais “resultados” como resposta;

  • ele quer orientação, redução de opções e clareza para decidir;

  • a IA assume o papel de organizar a informação antes do clique.

Isso encurta a jornada, reduz fricção e muda o ponto de valor do marketing digital. O meio da jornada, antes ocupado por dezenas de páginas e comparações, começa a ser “absorvido” pela própria IA.

O que o Google sinalizou na NRF sobre a nova busca

Na palestra, o CEO do Google apresentou uma visão clara: a busca foi redesenhada para a era da IA a partir de um modelo full stack, que conecta infraestrutura, modelos avançados e produtos de escala.

Alguns pontos-chave dessa mudança:

  • a busca passa a operar com conversas naturais, não apenas consultas por palavra-chave;

  • experiências como AI Mode e AI Overviews reorganizam a forma como a informação é apresentada;

  • a descoberta acontece em múltiplas superfícies, como Search, YouTube e busca visual;

  • a IA reduz o esforço cognitivo do usuário ao afunilar opções com base em contexto.

Isso significa que não basta existir conteúdo. É preciso existir conteúdo útil, compreensível e acionável dentro da lógica da busca conversacional.

Como adaptar o conteúdo para busca conversacional

O conteúdo deixa de ser produzido apenas para ranquear e passa a ser produzido para orientar decisões reais.

Conteúdos que tendem a performar melhor nesse novo cenário:

  • guias explicativos, não textos genéricos;

  • conteúdos que respondem “como escolher”, “qual a melhor opção para meu caso”, “quando faz sentido”;

  • materiais que antecipam objeções e comparações;

  • textos que contextualizam, explicam trade-offs e oferecem critérios claros.

Na busca conversacional, vence quem explica melhor, não quem repete mais vezes uma palavra-chave.

Como adaptar site e UX para busca conversacional

Design e experiência deixam de ser apenas estética e passam a ser performance da compreensão.

Alguns ajustes essenciais:

  • hierarquia clara da informação;

  • títulos objetivos e orientados à intenção;

  • blocos escaneáveis, comparativos e explicativos;

  • FAQs estratégicas que resolvem dúvidas reais;

  • páginas que ajudam o usuário a decidir, não apenas a navegar.

Quando a IA seleciona fontes para responder uma busca conversacional, ela privilegia páginas bem estruturadas, claras e coerentes.

O que muda em SEO e métricas a partir de agora

O SEO tradicional continua sendo base, mas o diferencial passa a ser outro.

Perdem força isoladamente:

  • volume bruto de tráfego;

  • pageviews sem engajamento;

  • conteúdos rasos feitos apenas para atrair clique.

Ganham relevância:

  • intenção de busca mais específica;

  • engajamento real com o conteúdo;

  • conversões assistidas;

  • qualidade da experiência;

  • leads mais preparados e ciclos de decisão menores.

A busca conversacional favorece qualidade de presença digital, não quantidade de páginas.

Em resumo

  • A busca deixou de ser baseada só em palavras-chave e virou conversa;

  • Conteúdo passa a ter função de orientar, não apenas atrair;

  • Design vira ferramenta de clareza e decisão;

  • SEO evolui para contexto, intenção e utilidade;

  • Marcas que não constroem contexto tendem a perder relevância.

Checklist rápido para se preparar para a busca conversacional

  • Seus conteúdos explicam ou apenas descrevem?;

  • Existem guias e comparativos claros no site?;

  • As páginas ajudam o usuário a decidir?;

  • O conteúdo responde perguntas reais do público?;

  • A informação está organizada por intenção?;

  • O site é escaneável e compreensível rapidamente?;

  • O conteúdo gera confiança e reduz dúvidas?;

  • A presença digital funciona como jornada, não como canal isolado?

A busca mudou. A estratégia precisa acompanhar.

A palestra do CEO do Google na NRF deixa um recado direto: a descoberta está mudando, e com ela muda o papel do conteúdo, do design e do marketing digital.

Na era da busca conversacional, marcas fortes são aquelas que:

  • constroem contexto;

  • explicam bem;

  • organizam informação;

  • e ajudam o usuário a decidir.

A tecnologia evolui rápido, mas o diferencial continua sendo estratégico, humano e bem estruturado.